Por: Gabrielly Souza
Notícia
Publicado em 01.06.2026 | 21:41 | Alterado em 01.06.2026 | 21:41
Há oito anos, o dia a dia de Alessandra Martimiano dos Santos, 39, se dá entre postes, fios e manutenções de rede elétrica. Moradora de Itaquaquecetuba, na região metropolitana de São Paulo, ela trabalha como eletricista na concessionária responsável pelo fornecimento de energia em Guarulhos, a EDP Brasil, e transformou uma profissão historicamente masculina em espaço de representatividade e incentivo para outras mulheres.
Apesar da experiência na área, ela ainda percebe um certo espanto das pessoas ao vê-la trabalhando nas ruas, principalmente em serviços de manutenção da rede elétrica. Além da curiosidade, muitas mulheres se sentem mais seguras ao serem atendidas por uma profissional feminina.
“Ao realizar atendimento domiciliar, você consegue perceber a surpresa e também o alívio de mulheres que moram sozinhas ou estão sozinhas em casa em receber uma técnica mulher”, conta.

Alessandra em manutenção na rede elétrica de Guarulhos @Arquivo pessoal/Divulgação
O impacto da profissão também atravessa a vida familiar. Mãe de Beatriz Martimiano, 20, e Yago Martimiano, 14, Alessandra criou os filhos sozinha e se tornou referência para ambos. A filha mais velha decidiu seguir os passos da mãe e atualmente trabalha na manutenção elétrica do Metrô de São Paulo. Já o caçula sonha em atuar na área de robótica e costuma buscar nas experiências da mãe conselhos sobre responsabilidade e técnica profissional.
‘As conversas sobre trabalho fazem parte da nossa rotina. Como não é comum ver uma mãe trabalhando na rede de distribuição de energia, entre postes e fios, eles acabaram se interessando pela área
Alessandra, eletricista
“ Sempre contamos como foi o dia, os desafios que apareceram e até lugares novos que conheci durante os atendimentos”, relata a eletricista.
Alessandra se formou em Engenharia Elétrica em 2018 pela Universidade Anhanguera e em 2019 começou a atuar na área, após se candidatar a um anúncio da Escola de Eletricistas, parceria da EDP com o Senai. Logo se identificou com a profissão e segue na concessionária até hoje.

A eletricista diz que nos atendimentos nas residências, os moradores ficam surpresos de ver uma mulher nesta área @Arquivo pessoal/Divulgação
Apesar das exigências técnicas e dos protocolos rigorosos de segurança, Alessandra afirma que a rotina nunca é igual. “Trabalhamos com atenção total o tempo inteiro, porque segurança é prioridade máxima. Costumo brincar com a minha nutricionista que meu trabalho é um crossfit diário, mas ela não acredita”, diz, entre risos.
Para ela, ocupar espaços ainda pouco acessados por mulheres também significa incentivar mudanças. Ao ver a filha construindo carreira no setor elétrico, no Metrô de São Paulo, como jovem aprendiz, Alessandra acredita que sua trajetória ajuda a mostrar que mulheres podem ocupar qualquer espaço — inclusive no alto de um poste, garantindo energia para milhares de pessoas.
A futura eletricista Beatriz, filha de Alessandra, afirma que acompanhar a trajetória da mãe foi determinante para a própria escolha profissional.
“Minha mãe começou a faculdade quando eu ainda era criança. Acompanhei de perto cada esforço, cada noite de estudo e cada desafio que ela enfrentou sem desistir. Vi ela se formar com honra, fruto de muita dedicação e coragem”, relembra.

Alessandra ao lado da filha Beatriz que trabalha na mesma área que a mãe @Arquivo pessoal/Divulgação
Segundo a jovem, Alessandra sempre demonstrou força e perseverança diante das dificuldades. “Ela sempre foi uma mulher extremamente inteligente e forte. Lembro do brilho no olhar e do sorriso cheio de orgulho quando conquistou, com tanta garra, seu diploma de engenheira eletricista. Também acompanhei sua caminhada profissional”, afirma.
Beatriz diz que o incentivo da mãe aos estudos sempre esteve presente dentro de casa. “Ela nunca deixou de me incentivar a ler, estudar e acreditar que posso ir mais longe. Ela me ensina, na prática, a voar alto.”
Para a filha, Alessandra representa mais do que uma inspiração profissional. “Minha mãe é uma das minhas maiores inspirações de força e determinação. Uma mulher que corre atrás sozinha, vence seus desafios e nunca desistiu. Ela é o verdadeiro exemplo de uma mulher forte. Além de tudo isso, é uma mulher linda e uma mãe maravilhosa, que eu admiro profundamente”.
Jornalista e pós-graduanda em Jornalismo Cultural pela UERJ. Correspondente local em Guarulhos e moradora do bairro dos Pimentas. Também atuo como jornalista na TV Cultura.
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