Karine Ferreira/Agência Mural
Por: Karine Ferreira
Notícia
Publicado em 19.02.2026 | 9:01 | Alterado em 19.02.2026 | 12:12
Por anos, Letícia do Nascimento Santos, 25, viveu na pele a frase muito ouvida por artistas independentes: “entrar no mercado da música exige mais do que talento”.
Trabalhando na área desde a adolescência, ela acompanhou de perto jovens que enfrentavam dificuldade para alavancar a carreira por dificuldades de divulgar o trabalho ou fazer contatos com produtoras. Ela, então, decidiu virar o jogo.
Nascida e criada na Vila Industrial, distrito da Vila Prudente, zona leste de São Paulo, criou, em 2021, a ‘REF Music‘, uma agência de música e comunicação com foco em artistas independentes do rap e do funk, muitos deles das periferias.
Lado a lado com os talentos das quebradas, ela auxilia em lançamentos de músicas, álbuns e videoclipes, na gestão de carreira, na produção musical e até na realização de eventos.

Leticia conhecida como Lets construiu um caminho de apoio a artistas independentes @Karine Ferreira/Agência Mural
“Tem muito artista que não sabe como funciona [o mercado da música]. Minha vontade de criar a REF vem de quando era mais nova e também não fazia ideia de como tudo funcionava. Antigamente, só as grandes gravadoras conseguiam lançar música”, conta Letícia, mais conhecida como Lets.
No primeiro ano, a REF funcionava de forma totalmente digital e apenas no tempo livre de Letícia, aliado com outros trabalhos.
‘Comecei sem investimento nenhum. Foi literalmente do zero, no meu quarto, na casa da minha mãe’
Lets, fundadora da REF Music
Cinco anos depois, a REF Music atua em duas frentes principais: uma agência para artistas e um espaço físico com estúdio para gravações, ensaios e eventos.
Ela gerencia lançamentos de músicas e faz consultoria artística, com pacotes que incluem upload e registro de músicas, produção de releases e disparo para a imprensa, media kit para apresentações para possíveis parceiros, planejamento de cronograma para redes sociais e sincronização de letras nas plataformas de streaming.
Já o espaço físico do REF Music, localizado no Parque São Lucas, na zona leste, permite gravação de músicas e realização de eventos. O local é gerenciado por Lets com o apoio dos sócios: o produtor Eduardo Chaves e a profissional de mídia Isabela Luali, que é sua amiga de infância.
Desde cedo, Lets já se interessava pelo universo da arte e da música. Ainda criança, começou a cantar na igreja e, na adolescência, passou a acompanhar de perto a cena do rap, administrando páginas dedicadas ao gênero nas redes sociais.
Formada em Relações Públicas, com bolsa integral, trabalhou no portal de notícias Flagra RAP, focado em música, onde atuou como fotógrafa e videomaker. Estagiou também na produtora musical GR6, ampliando a experiência no mercado musical.
A ideia do REF Music se consolidou depois destas experiências, mais especificamente durante a passagem por uma distribuidora musical chamada Onerpm. Foi lá que viu de perto a dificuldade de artistas com procedimentos corriqueiros no mundo da música, incluindo como fazer o upload das faixas, decidir o que postar nas redes sociais, ou como subir a capa de álbuns.
“A REF Music veio para ajudar as pessoas a darem o primeiro passo na distribuição de música, para começar a profissionalizar a carreira”, resume Lets. Para isso, ela oferece preço mais acessível do que as produtoras tradicionais, sobretudo para artistas das quebradas.
Depois de dois anos tocando a REF Music em paralelo com outros trabalhos, em 2023 Lets decidiu deixar o emprego fixo e se dedicar totalmente ao seu projeto. No mesmo ano, ela pediu demissão, mergulhou no seu selo e foi indicada na categoria “Profissional do Ano”, do prêmio WME Awards By Billboard 2023, que reconhece o trabalho de mulheres na música. “Foi a maior loucura que já fiz”, lembra.
Um divisor de águas foi o lançamento do estúdio físico da REF Music, em 2025. Além da captação e gravação de músicas, o espaço também pode ser alugado para audições e eventos com coletivos e artistas. A estrutura conta com serviços de mixagem e masterização, produção de beats, sala espelhada para ensaios de shows e sessões fotográficas, além de receber eventos e outras atividades culturais.

Ref Music atua também como agência para os artistas @Karine Ferreira/Agência Mural
Em 2025, a REF Music também recebeu o selo “IGUAL”, da plataforma WME, por promover a Equidade de Gênero no mercado musical. A empresa oferece 15% de desconto fixo nos serviços para artistas mulheres cis, mulheres trans, homens trans e pessoas não-binárias.
Um dos primeiros trabalhos da REF foi a parceria com a MC Luanna, rapper que Letícia conheceu em uma distribuidora musical em que trabalhava. O apoio inicial virou parceria e incentivo para que apostasse todas as fichas na produtora.
“Como a gente vive em uma realidade em que precisamos mudar logo a vida, a gente anseia pelo resultado sem querer viver o processo. Só que ninguém fala como é esse processo. Você não entende como as pessoas saíram de onde elas estavam para estar onde elas estão”, comenta MC Luanna. “Eu enxergo a REF como uma empresa que educa o artista a entender como de fato funciona a arte.”
Ela lembra que a agência foi fundamental para seu crescimento e amadurecimento como artistas e para galgar espaços importantes na música. No primeiro trabalho em parceria com a REF Music, a artista vivia um momento de investimento e amadurecimento na carreira.
“Era uma fase que estava descobrindo como trabalhar mais sério. Eu tinha meu público, uma notoriedade, mas com a REF e a Letícia e eu entendi a importância de trabalhar de forma estratégica”, conta. “Foi a primeira vez que eu tive uma construção do que eu queria passar com a música e de como ia vender. Foi uma virada de chave entender como realmente era lançar uma música com objetivo”.
Hoje, MC Luanna ultrapassa 2 milhões de ouvintes mensais no Spotify. A artista já lançou um álbum de 16 faixas e também foi indicada ao BET Awards 2025.
Para saber mais sobre a REF Music e solicitar orçamentos, acesse o perfil no Instagram ou o site oficial da empresa.
Jornalista cultural, publicitária e corinthiana. Fiel à fotografia e à música, nunca falta samba, rap ou funk no meu dia-a-dia. Correspondente do Jardim Helena desde 2023.
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