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Documentário mostra como salões de Barueri viram espaços de identidade e apoio

“Estéticas Periféricas: o corte” será exibido no Museu das Favelas no dia 10 de maio e circula por escolas e festivais

Documentário transmite as estéticas perifericas da Grande São Paulo

Divulgação

Por: Carol Lima

Notícia

Publicado em 08.05.2026 | 11:15 | Alterado em 08.05.2026 | 11:15

Tempo de leitura: 3 min(s)

Produzido a partir das vivências em 14 salões de cabeleireiros e barbearias das periferias de Barueri, na Grande São Paulo, o documentário “Estéticas Periféricas: o corte” está em circulação por festivais e escolas e será exibido no próximo dia 10 de maio, às 11h, no Museu das Favelas, em São Paulo. O filme retrata o dia a dia de profissionais que transformam estética em ferramenta de sobrevivência, identidade e pertencimento.

O projeto é um desdobramento da dissertação da diretora e pesquisadora Lidiane da Silva, 40, “Estéticas Periféricas nos corpos vestidos”, que investiga como a estética da periferia se manifesta por meio de roupas, cortes de cabelo, adornos e modos de se apresentar na sociedade.

Moradora do Parque dos Camargos, Lidiane afirma que o filme nasce de uma vivência pessoal e de uma investigação sobre pertencimento.

“Essa ideia nasce de uma experiência vivida, nasci na periferia, minha mãe teve salão, minhas tias, vi meus primos com luzes e cabelos na régua. Estudei estética periférica como linguagem de sobrevivência e pertencimento e descobri que os salões e barbearias são templos da construção da identidade”.

Documentário mostra a realidade dos cortes e identidade visual nas periferias @Divulgação

“O objetivo maior desse curta é trazer a estética nas periferias e a linguagem de sobrevivência. Acho que o principal é trazer a reflexão de que cuidar da aparência na periferia também é um ato político”, afirma.

O cabeleireiro Diego de Souza Fonseca, 33, que atua há nove anos na área com cortes de cabelo, barba e pintura, destaca a importância do reconhecimento do trabalho desses profissionais.

“Foi muito legal, ela apresentou o nosso trabalho na periferia, o nosso carinho com os clientes. Foi uma experiência surreal”, afirma.

A cabeleireira Marisa de Jesus Cruz, 53, especialista em cabelos afro, pintura, progressiva, alisamento e cortes, também moradora do Parque dos Camargos, vê a participação como uma conquista pessoal.

“Pra mim foi muito importante. Eu nunca pensei em participar de um documentário. Já tinha visto alguns na TV e pensava: ‘já pensou se um dia participo de algo assim?’ Pra mim foi muito satisfatório.”

“Eu tenho 35 anos de profissão, e a melhor coisa da minha vida é trabalhar como cabeleireira”, declara.

Marisa em seu salão de cabeleireiro @Arquivo pessoal

Lidiane explica que o filme evita uma abordagem quantitativa e aposta em uma leitura mais subjetiva do trabalho desses profissionais.

“É um empreendedorismo que aparece de forma mais qualitativa. A gente mostra como esses profissionais, além de gerar economia local, fazem a manutenção da autoestima dos sujeitos periféricos. Como esses espaços — salões, barbearias — são espaços de afeto, de apoio, de saúde mental, de troca.”

O produtor executivo Leonardo Escobar, 42, morador de Osasco, ressalta o impacto desse olhar.

“Quando a história nasce de dentro, ela cria identificação imediata. Não é só sobre estética, é sobre identidade e pertencimento”, afirma.

Equipe produzindo o documentário em salão de Barueri @Arquivo pessoal

A diretora também destaca o papel cotidiano desses locais como pontos de escuta e convivência.

“Nas barbearias, por exemplo, os homens se encontram pra falar dos problemas, o cara que senta ali pra cortar o cabelo às vezes tá num dia importante, de entrevista, e encontra apoio. E as mulheres também, elas trocam, falam dos problemas, se reconfortam.”

Lidiane durante a gravação do documentário @Arquivo pessoal

Na avaliação dela, esse ambiente revela um tipo de empreendedorismo centrado no cuidado e nas relações.

“Então é um empreendedorismo muito mais desse lugar do afeto, desse apoio, dessa saúde mental. A palavra ‘terapia’ aparece bastante, porque muitas periferias não têm acesso à terapia formal, e esses espaços acabam sendo outras formas de cuidado.”

Ela acrescenta que a estética também está diretamente ligada ao bem-estar emocional.

“A estética, a beleza, se sentir bonito, cuidar da aparência, isso também está ligado à saúde mental, à autoestima. O filme mostra como esses profissionais fazem esse cuidado de forma qualitativa”

Lidiane da Silva

A produção reuniu cerca de 40 participantes e foi realizada entre abril e novembro de 2025. Na primeira etapa, houve pesquisa e captação, com o mapeamento de 40 salões e barbearias em Barueri, além de mais de 20 entrevistas com empreendedores e clientes. Desses, 14 estabelecimentos foram selecionados para gravação, realizada entre maio e julho.

A pós-produção ocorreu entre agosto e novembro, com decupagem do material, montagem, edição e finalização do filme. O documentário foi realizado com recursos do edital Aldir Blanc, voltado a produções audiovisuais independentes.

O pré-lançamento ocorreu na Casa Griô, espaço cultural em Barueri, no dia 10 de novembro, com exibição para participantes do documentário.

“Foi lindo ver as pessoas rindo, se emocionando e se reconhecendo naquilo que estava sendo exibido”, comenta Escobar.

Estéticas Periféricas: O Corte – Classificação indicativa: Livre

Direção: Lidiane Silva

Endereço: Museu das Favelas: Largo Páteo do Colégio, 148 — Centro Histórico de São Paulo (SP)

Horário de funcionamento: Dia: 10.05 (Domingo), às 11h

Ingresso: Retire seu ingresso gratuito em: https://www.museudasfavelas.org.br/ingressos/


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Carol Lima

Jornalista e digital influencer, amo contar histórias. Mãe de dois meninos, atualmente produzo conteúdo sobre maternidade e lifestyle nas redes sociais

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