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Prefeitura reduz orçamento de quatro subprefeituras em SP

Por: Paulo Talarico e Jacqueline Maria da Silva

A Prefeitura de São Paulo revisou para baixo o orçamento de quatro subprefeituras localizadas nas periferias da cidade. Juntas,  Perus, Campo Limpo, Casa Verde e Aricanduva perderam quase R$ 30 milhões em recursos previstos inicialmente para obras, zeladoria e melhorias urbanas. Em contrapartida, outras subs tiveram acréscimo de até R$ 20 mi.

É o que mostram dados do Orçamentômetro, ferramenta criada pela Agência Mural para monitorar em tempo real os gastos públicos do município. 

No final do ano passado, a Câmara Municipal aprovou R$ 2,2 bilhões em verbas para cada uma das 32 subprefeituras em 2026. Até abril deste ano, R$ 423 milhões haviam sido executados em ações de melhorias nos bairros e também na própria manutenção dos prédios dessas unidades. 

Nesse período, porém, a gestão atualizou a previsão de gastos das subprefeituras e reduziu os valores que seriam destinados a quatro delas na LOA (Lei Orçamentária Anual)

Assim como em 2025, Perus foi a mais afetada: dos R$ 61 milhões, agora a prefeitura diz que o orçamento dela é de R$ 44 milhões – R$ 16 milhões a menos.

Quando a LOA foi votada em 2025, havia a previsão de R$ 20 milhões para o programa Lote Urbanizado destinado à “Implantação de Infraestrutura Básica na Região de Perus/Anhanguera”. No entanto, agora esse recurso aparece zerado, o que leva a subprefeitura a ter sofrido o pior “reajuste” entre as demais.

Essa atualização ainda pode sofrer mudanças até o final do ano, caso a gestão municipal altere as decisões tomadas.

Questionada, a prefeitura afirma que “os recursos para execução da Emenda Programa Lote Urbanizado encontram-se em contingenciamento”. Ou seja, estão bloqueados neste momento, mas ainda podem ser utilizados. No ano passado, porém, havia R$ 30 milhões previstos para a ação e também não foram executados.

Moradores cobram por melhorias na comunidade do Bronx, em Perus @Jucinara Lima/Agência Mural

Os gastos das subprefeituras não são os únicos destinados a melhorar a cidade. A maior parte das obras e serviços são realizados pelas secretarias municipais, inclusive os realizados nos territórios.

No entanto, estão nessas unidades regionais alguns recursos importantes destinados a impactar os bairros e garantir ações de zeladoria. Porém, a execução dos serviços tem sido feita de forma desigual.

Os dados da reportagem abordam exclusivamente o executado pelas próprias subprefeituras.

 
Perus é uma das subprefeituras com pior execução – apenas 13% do orçado foi realizado até abril. 

Em média, as subprefeituras já executaram 18% do previsto em média, com a Brasilândia (25% do previsto realizado) como a melhor, e Santana com 14%, do outro lado da lista. 

Outras reduções

No Campo Limpo, subprefeitura da zona sul da capital que administra os distritos de Capão Redondo e Vila Andrade, a previsão agora é de R$ 69 milhões serem gastos – R$ 5 milhões a menos do que o aprovado no final de 2025.

A gestão revisou para baixo o que era previsto no Plano das Subprefeituras para melhorias na região. Inicialmente, seriam R$ 23 milhões com essas despesas, que passaram a R$ 18 milhões.

Obras na região do Capão Redondo, administrado pela subprefeitura do Campo Limpo @Cleberson Santos/Agência Mural

Na Casa Verde, na zona norte, também houve redução nesse plano, em especial na “qualificação de espaços públicos”, que passou de R$ 17 milhões previstos para R$ 14 milhões.

Já no Aricanduva, na zona leste, na subprefeitura que engloba também a Vila Formosa,  a redução foi de R$ 4 milhões, mas para outro tipo de gasto: a construção de uma nova sede. No ano passado, foram aprovados R$ 5 milhões para a obra, mas agora até o dia 7 de maio não havia mais verba prevista para esse gasto. 

Sem prejuízo e mudança de prioridade

Sobre esses casos, a Prefeitura afirma que não houve impacto ou descontinuidade de serviços executados de zeladoria e manutenção de equipamentos pela Subprefeitura Campo Limpo, e também negou a paralisação e suspensão de obras e serviços da Casa Verde/Limão/Cachoeirinha. A gestão afirma que o cronograma foi adaptado aos recursos disponíveis sem fornecer mais detalhes. 

Sobre Aricanduva/Formosa /Carrão o órgão aponta que os recursos previstos para realização do projeto e construção da sede da subprefeitura foram remanejados para a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras (SIURB) para 43 importantes obras de drenagem, entre elas os reservatórios Paraguai-Éguas, Ibijaú-Gaivotas, Rio Verde e Morro do S.

Segundo informações da pasta, o orçado inicial das subprefeituras citadas na reportagem teve um crescimento de 18% em relação ao ano passado, passando de R$ 2.025.397.174,64, em 2025, para R$ 2.390.689.765,20, em 2026 – um acréscimo de R$ 365,3 milhões. 

Apesar disso, a LOA aprovada ano passado já previa R$ 2,2 bilhões. A maioria das subprefeituras teve orçamento atualizado para cima. Em Pirituba, foram R$ 22 milhões a mais, seguido de Ipiranga com R$ 20 mi e Butantã com R$ 16 mi.

“Vale ressaltar que a LOA estabelece a programação inicial de receitas e despesas do Município e está sujeita a ajustes ao longo do exercício, conforme a disponibilidade orçamentária e financeira, o andamento das ações, a capacidade de execução das unidades e as prioridades da Administração”, justificou a Prefeitura.

Orçamentômetro

Criado pela Agência Mural, a plataforma permite a consulta em tempo real do que foi gasto por prefeituras e secretarias. Para saber se houve redução no orçamento, acesse a página, procure sua subprefeitura. No detalhamento, consta o previsto para 2026 e o orçamento atualizado.

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