Na cidade de São Paulo, o carnaval começa antes da data oficial, que em 2026 será 17 de fevereiro. Quem curte a festa tira a fantasia do guarda-roupa, coloca a saia de chita, improvisa um adereço, pega a pochete à tiracolo e sai para curtir um dos 630 blocos que colorem as ruas da capital paulista.
Muitas vezes, quem está na folia não sabe quanta gente tem que trabalhar para garantir o desfile do bloco. São ao menos 58 mil profissionais de segurança pública, quase 4 mil agentes de limpeza urbana e 15 mil vendedores ambulantes envolvidos no evento, segundo dados da prefeitura.
A Agência Mural foi conhecer as histórias quem faz o carnaval acontecer, mas nem sempre é lembrado.
Na linha de frente da folia
Seis meses antes do carnaval, a equipe do Bloco do Zé Pereira, na zona sul de São Paulo, já está em busca de doações de adereços e instrumentos musicais @Jacqueline Maria da Silva/ Agência Mural
Esse corre garante que jovens da ACM Leide das Neves, no Jabaquara, possam ensaiar e tocar a bateria do bloco. @Jacqueline Maria da Silva/ Agência Mural
Há quem empreste a voz para puxar as marchinhas @Jacqueline Maria da Silva/ Agência Mural
E há quem se dedique a garantir a saúde e o bem estar dos foliões, distribuindo água para quem foi curtir a festa @Jacqueline Maria da Silva/ Agência Mural
No final do desfile, um caldo de batata com bacon e cebolinha feito pela Vera (à esquerda) e pela Patrícia (à direita) @Jacqueline Maria da Silva/ Agência Mural
“Assim que termina, crianças, adolescentes e adultos vem para cá tomar o caldinho”, conta orgulhosa Vera Lúcia Santos, 59, cozinheira há 30 na ACM @Jacqueline Maria da Silva/ Agência Mural
Na hora da festa
Os blocos também são sinônimo de trabalho e renda para moradores das periferias. Enquanto o bloco desfila, ao menos 15 mil vendedores ambulantes cadastrados pela prefeitura aproveitam a festa para garantir a renda do mês.
Aurelino José, 52, é um deles. Conhecido como Léo e morador do Jardim Ângela, na zona sul de São Paulo, ele vende água e cerveja para os foliões há três anos. Seu segredo é redobrar a atenção em meio a multidão e música alta, para não perder vendas.
“O pessoal acaba indo mais para o centro. Vou precisar ir [para lá] nos próximos dias para tentar melhorar as vendas”, conta. Ele trabalhou durante o Bloco do Rei, no Jardim Ângela, na zona sul de São Paulo, que desfilou em 8 de fevereiro. @Raphaela Guimarães/ Agência Mural
“Ser ambulante é um trabalho bem sacrificante, mas acredito que vale a pena. É melhor do que ficar sem trabalhar” afirma Léo. @Raphaela Guimarões/ Agência Mural
No reforço, agentes de limpeza e de segurança pública atuam nas ruas para resguardar os foliões.
Agentes da GCM (Guarda Civil Metropolitana) fazem a segurança dos foliões durante desfile do Bloco do Zé Pereira, no Jabaquara, zona sul de São Paulo. @Jacqueline Maria da Silva/ Agência Mural
A Polícia Militar escolta foliões, garantindo segurança para aproveitar a festa @Jacqueline Maria da Silva/ Agência Mural
Os agente de trânsito ajudam no bloqueio das ruas para permitir o desfile do bloco @Jacqueline Maria da Silva/ Agência Mural
Quem finaliza o cortejo são os agentes de limpeza, os populares garis. Solange Silva, 42, moradora do Jardim Ângela, na zona sul de São Paulo, é uma das profissionais que atua na limpeza das ruas.
Contratada há cinco anos pela Prefeitura de São Paulo, ela trabalha por oito horas diárias para manter as vias limpas depois dos blocos. Uma das vantagens do trabalho, segundo ela, é que os agentes de limpeza são direcionados para trabalhar próximos de casa.
“Prefiro trabalhar na região onde moro, é mais tranquilo do que no centro e ainda dá para acompanhar o show enquanto trabalhamos”, relata a agente durante desfile do Bloco do Rei @Raphaela Guimarões/ Agência Mural
“Quando a gente trabalha com o que ama, fica mais fácil”, afirma @Raphaela Guimarões/ Agência Mural
Atrás do Bloco do Zé Pereira, os garis garantem que a limpeza da via após o cortejo @Jacqueline Maria da Silva/ Agência Mural
No carnaval de 2026, ao menos 4 mil agentes de limpeza estarão nas ruas durante os desfiles. @Jacqueline Maria da Silva/ Agência Mural
