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Pagode do Toddy vira espaço de aquilombamento na zona sul de São Paulo

Roger iniciou carreira no cavaquinho e atualmente é cantor do Pagode do Toddy

Por: Simony Maia

A quadra do Moleque Travesso, na Vila Guarani, na zona sul de São Paulo, se transforma em um ponto de encontro da cultura preta e periférica. O espaço recebe todos os meses o Pagode do Toddy, projeto fundado em 2022 pelo músico Roger Pereira Thomas, 33, também conhecido como Toddy.

Ele é morador do bairro do Taboão, região no limite entre as cidades de São Bernardo do Campo e Diadema, e pai de Kauan, 12, Zuri, 7, e Zyan, 5.

O pagode nasceu do desejo de Roger de criar um projeto com a própria identidade, que dialogasse diretamente com as vivências das periferias e reunisse pessoas pretas em um espaço de pertencimento.

Roger iniciou carreira no cavaquinho e atualmente é cantor do Pagode do Toddy @Ludymila Santos/Divulgação

‘A ideia é dar “protagonismo” para o nosso povo preto, para a diversidade de gênero, para as pessoas com deficiência, pessoas mais velhas, para a galera que é excluída de várias coisas’

Toddy, músico

Atualmente, os ingressos variam entre R$ 23 e R$ 33, valores estabelecidos para facilitar o acesso do público. “É pensado para quem não tem condições de pagar um valor maior, mas que também seja funcional para a logística da festa”, explica Roger.

Para ele, um dos objetivos é promover o aquilombamento: a prática de pessoas negras se reunirem para fortalecer laços, resistir ao racismo e preservar a cultura, ressignificando os quilombos como espaços de liberdade, afeto e ancestralidade.

Com 18 anos de trajetória na música, Thomas passou por diversos projetos de formação antes de seguir de forma independente com o Pagode do Toddy.

Entre eles o o projeto GURI Santa Marcelina – programa de educação musical gratuita do Governo do Estado de São Paulo-, Orquestra de Samba e Choro de São Mateus e pela EMESP (Escola de Música do Estado de São Paulo)- Tom Jobim, uma das instituições musicais mais renomadas do estado. Além disso, é licenciado em Música pelo Centro Universitário Sant’Anna.

“Me dediquei à minha formação para depois focar na música integralmente. Acho importante estudar, buscar aprimoramento, porque se tiver o dom e não lapidar, não rola”, afirma.

Roger também acumulou experiência ao lado de nomes importantes do samba e do pagode, como Marquinhos Sensação, Ronaldinho do Fundo de Quintal, Salgadinho, Márcio do Art Popular e o Grupo Sensação.

A relação de Roger com Diadema atravessa a trajetória dele. Foi na cidade que ele realizou o primeiro show, em 2014. “Um amigo me convidou para tocar no bar dele durante um jogo da Copa do Mundo. Eu ainda nem cantava, só tocava, não era meu ofício, mas fui lá, meti a cara pra ver o que acontecia”, relembra.

Pagode do Toddy reúne pessoas pretas e periféricas de diversas partes de SP @Toddy/ Divulgação

Após esse início, o músico seguiu atuando como instrumentista, tocando cavaquinho e acompanhando outros artistas, até que, em 2020, com a chegada da pandemia de Covid-19, precisou reformular os planos. Nesse período, Roger começou a cantar em transmissões ao vivo. “Comecei a fazer lives de cinco minutos, o povo foi gostando, fui pegando confiança e recebi o convite para cantar no grupo Pagode dos Meninos”, conta.

Dois anos depois, em 11 de setembro de 2022, nasceu oficialmente o Pagode do Toddy. Atualmente, o grupo é formado por Roger no vocal, Ronaldo Porpeta no cavaquinho, Titizeira no violão, Thiaguinho na guitarra, Darlan no sopro, Pezão no tantã, Feijão no pandeiro e Rodrigo na percussão geral.

O grupo é composto majoritariamente por pessoas pretas e periféricas. “Sempre prefiro dar voz para o ‘povo preto’, para as minas. Busco levar pessoas que tenham a ver com a identidade da festa”, afirma.

Lucas frequenta o Pagode desde 2024 e se sente pertencente @Theodoro/Divulgação

Além da roda de pagode, o evento conta com outras iniciativas que fortalecem a economia criativa periférica. A quadra do Moleque Travesso também recebe um espaço de flash tattoo e a venda de acessórios artesanais da Ousa Acessórios, marca independente de Diadema, reforçando o caráter comunitário e coletivo do evento.

Para Lucas Silva, 26, estudante de Publicidade e Propaganda e frequentador do Pagode desde 2024, o evento é muito bom, tanto pela acessibilidade do ingresso quanto pelo samba raíz.

“Me sinto confortável e feliz por estar nesse ambiente, porque estou com o meu povo, num espaço nosso e que vai muitas famílias negras”.

Pagode do Toddy

Endereço: Avenida do Café, 765 – Vila Guarani (Zona Sul), Quadra Moleque Travesso – SP

Horário de funcionamento: Duas vezes no mês. A próxima será dia 8 de fevereiro

Formas de pagamento: Entre R$ 23,00 –  1º lote a R$33 – Último lote

Informações: @pagodedotoddy

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