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Itaim Paulista aumenta gastos com arborização, mas amplia pouco a cobertura verde 

Por: Thauane Blanche

O Itaim Paulista tem poucas árvores. Segundo o Mapa da Desigualdade da Rede Nossa São Paulo, a região é a 11ª com menos cobertura vegetal na cidade de São Paulo, com apenas 11% do território ocupado por áreas verdes – a média da cidade é de 27%.

Em 2025, esse cenário parece ter sido enfrentado. O investimento da subprefeitura da região nessa área foi o dobro do previsto para o longo do ano. No entanto, moradores não veem melhoras efetivas na arborização da região.

Dados do Orçamentômetro, plataforma criada pela Agência Mural para mapear a execução dos gastos da cidade mostram que o distrito do extremo leste de São Paulo gastou quase R$ 5 milhões com esse tipo de serviço, se tornando a principal despesa, atrás apenas de manter a própria unidade (custos com salários, energia, telefone, o prédio).

Avenida Itajuíbe com algumas árvores em um espaço fechado @Thauane Blanche/Agência Mural

Inicialmente, havia a previsão de R$ 2,5 milhões em ações de manejo arbóreo, conservação e manutenção de áreas verdes.

“Moro aqui há 17 anos. Não vi ninguém plantando árvores.. e também não vi nenhum espaço diferente aqui no bairro”, conta Simone Leite, 45, moradora do Itaim Paulista.

Os gastos da subprefeitura não são os únicos destinados para a região, pois as secretarias municipais também atuam nos bairros com ações. Os recursos destinados aos parques municipais, por exemplo, vêm do orçamento da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente.

Ainda assim, os indicadores ambientais seguem baixos: o distrito ocupa a 85ª posição no ranking da cidade em cobertura vegetal e em PEVs (pontos de entrega voluntária), registrando um índice elevado de áreas contaminadas.

No jardim Nélia há pouca área verde para a população @Thauane Blanche/Agência Mural

Os dados, do Mapa da Desigualdade da Rede Nossa São Paulo, também mostram níveis relevantes de emissão de poluentes atmosféricos.

Em nota, a Secom (Secretaria Especial de Comunicação) informou que, no último ano, foram realizadas 2.560 podas, 248 remoções e o replantio de 265 mudas no território.

Embora o número de 265 mudas plantadas possa parecer significativo à primeira vista, ele perde força quando analisado em relação à dimensão territorial do Itaim Paulista.

Distribuídas ao longo de um raio de aproximadamente 13 quilômetros, essas mudas foram plantadas de forma bastante espaçada entre si, ocupando uma área extensa, porém, fragmentada, o que reduz drasticamente seu impacto ambiental real.

Na prática, isso significa que o plantio acontece de forma pulverizada, sem garantir aumento perceptível de sombra, redução de ilhas de calor ou melhoria concreta na qualidade de vida dos moradores. Para quem vive no bairro, o resultado é quase invisível: poucas árvores novas para um território grande e densamente ocupado.

“As árvores que plantaram tempos atrás hoje estão grandes e ajudam a refrescar, mas ainda poderia ter mais áreas verdes integradas às casas. Nos últimos meses, não notei nenhum novo plantio”, afirma Danieli Almeida, 43, residente do bairro.

Quanto custa uma árvore?

Mesmo com quase R$ 5 milhões gastos, o plantio de novas árvores teve participação limitada entre as ações executadas. Os dados não especificam quanto do orçamento era efetivamente destinado a essa finalidade, o que restringe a análise sobre o impacto real do investimento ambiental no território.

Moradora do distrito, Danielle Cabral, 28, avalia que é necessário cuidar mais dos espaços públicos. “As praças têm sempre uma aparência de abandono, o que desestimula a utilização. Em relação às árvores, são poucas, e algumas das que existem são grandes e oferecem risco de queda”, diz.

Atualmente, o distrito conta com oito parques municipais: Água Vermelha, Águas e Santa Amélia, Central do Itaim Paulista, Chácara das Flores, Chico Mendes, Linear Itaim e Quississana.

Juntos, esses espaços recebem mais de R$ 18,2 milhões por ano em investimentos destinados à manutenção, vigilância e manejo ambiental.

Avenida Tibúrcio de Souza, no Itaim Paulista tem poucas árvores, isso prejudica a temperatura na região @Thauane Blanche/Agência Mural

Na prática, isso significa que cada parque recebe, em média, R$ 190 mil por mês, ou mais de R$ 2,2 milhões por ano.

Para a bióloga Fernanda Veras, 25, o meio ambiente influencia diretamente a forma como as pessoas vivem, assim como a vida animal.

Segundo ela, quando o ambiente é favorável, há melhorias na qualidade do ar, da água e das condições do espaço urbano, fatores que impactam tanto a saúde física quanto a saúde mental da população.

“Em contrapartida, a exposição contínua a poluentes está associada ao desenvolvimento de diversas doenças, como câncer e distúrbios hormonais, além da redução da expectativa de vida, especialmente quando comparada à de pessoas que vivem em áreas mais arborizadas”, completa.

A escassez de árvores em diferentes regiões contribui para o aumento da sensação térmica, resultando em dias mais quentes e noites abafadas.

A SVMA (Secretaria do Verde e do Meio Ambiente) é o órgão da Prefeitura de São Paulo responsável por planejar e executar as políticas ambientais da cidade, incluindo o plantio e a manutenção de árvores, a conservação de áreas verdes e a gestão dos parques municipais.

Na prática, muitas dessas ações são realizadas em parceria com as subprefeituras, que executam os serviços diretamente nos bairros, seguindo as orientações e os recursos definidos pela SVMA.

O orçamento da área ambiental em São Paulo é definido anualmente pela Prefeitura por meio da LOA (Lei Orçamentária Anual), que estabelece quanto cada secretaria poderá gastar ao longo do ano. Para 2026, a Secretaria SVMA contará com R$ 749,96 milhões, conforme a Lei nº 18.377/2025, valor cerca de 0,77% superior ao previsto inicialmente no Projeto de Lei nº 1169/2025.

A partir desse orçamento, a secretaria planeja a distribuição dos recursos entre ações como manutenção de áreas verdes, plantio de árvores, conservação ambiental e gestão de parques, podendo haver ajustes ao longo do ano, como suplementações e remanejamentos.

Outras execuções baixas

O Itaim Paulista é uma das subprefeituras com maior percentual de execução do orçamento no ano passado. Dos R$ 43 milhões previstos na LOA (Lei Orçamentária Anual), 96% foi realizado até o final do ano, segundo o Orçamentômetro.

No entanto, o aumento nos gastos com vegetação teve peso grande nisso. No caso de ações envolvendo intervenções para melhoria nos bairros, por exemplo, houve uma previsão de R$ 1,8 milhão em ações. Ao longo do ano, esse número chegou a ser revisado para R$ 14 milhões, mas em dezembro, a execução ficou em pouco mais de R$ 1 milhão.

Esta reportagem e o Orçamentômetro foram produzidos com apoio doPulitzer Center

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