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Agência de Jornalismo das periferias

Magno Borges/ Agência Mural

Por: Jacqueline Maria da Silva

Notícia

Publicado em 08.01.2026 | 16:04 | Alterado em 21.01.2026 | 17:34

Tempo de leitura: 3 min(s)

A febre dos letreiros “EU AMO” começou em 2021 e teve um boom em 2023, sobretudo na capital paulista. Em 2025, a cidade somou ao menos 40 placas homenageando bairros e distritos, em especial nas periferias, segundo levantamento da Agência Mural junto às 32 subprefeituras da cidade. Os dados foram obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI), referentes a fevereiro do último ano.

Eles estão em diferentes locais da cidade, geralmente no limite entre municípios ou distritos. Mais precisamente, estão em 36 dos 96 distritos da capital paulista, alguns com até mais de um, como Vila Formosa (2) e Itaquera (2), ambos na zona leste – que é campeã em quantidade de letreiros (27), seguido por sul (7) e norte (6), zona oeste não possui nenhuma.

A Vila Formosa possuí dois letreiros em homenagem ao distrito @Léu Britto/ Agência Mural

Ao todo, 17 das 32 subprefeituras da capital paulista implantaram letreiros em homenagem aos distritos, denominados em contratos como “painéis alusivos”. Do total das 40 placas instaladas, a maioria (33) estão nas periferias.

Com a moda espalhada pelas quebradas, fica difícil resistir a uma foto na placa do seu distrito, para publicá-la nas redes sociais. Mas esta é a real “foto de milhões”: as 40 placas custaram, juntas, quase R$13 milhões de reais aos cofres públicos, segundo os dados obtidos pela Agência Mural.

Mas os preços não seguem uma média. O levantamento também avaliou dimensões e custos das placas, identificando que os valores entre letreiros podiam variar em até 187 vezes, comparando o mais barato (“Eu Amo Carrão”, por R$ 30,9 mil) com o mais caro (“Eu Amo Campo Limpo”, por R$5,8 milhões).

Alguns contratos previam obras associadas, como a revitalização ou manutenção do local onde o painel foi alocado. A subprefeitura do Campo Limpo informou, em nota, que o letreiro integra o projeto de requalificação da área de instalação, realizado entre dezembro de 2023 e junho de 2024. A obra foi selecionada por licitação, com recursos destinados pelo Conselho Participativo Municipal.

Obras de instalação do letreiro do Campo Limpo foram as mais caras da capital paulista @Léu Britto/ Agência Mural

Informações imprecisas

A partir dos dados fornecidos via LAI e de análise dos documentos do Sistema Eletrônico de Informações (SEI), da Prefeitura de São Paulo, foi possível levantar os valores de 33 letreiros e as dimensões de apenas 23. Algumas subprefeituras não responderam todas as solicitações, outras forneceram número de processos inexistentes ou com documentação sigilosa.

Em relação ao tamanho das placas, a menor é a “Eu Amo Grajaú”, com 5 metros de largura por 1 metro de altura. Já as maiores são “Eu Amo Parelheiros”, com 11,30m de largura por 1,50 de altura, e “Eu Amo Artur Alvim”, com 11m por 2,50m.

Comparando valores de letreiros com dimensões aproximadas, “Eu Amo Vila Prudente” (com 7,45 metros e comprimento 1,80 metros de altura) custou R$148,8 mil. Já “Eu Amo Parque do Carmo” (com 7 metros de comprimento, sem altura informada) custou R$59,9 mil. A prefeitura não confirmou se a diferença de valores se deve a outras obras realizadas no local de instalação da placa, nem disponibilizou números de processos para checagem.

A imprecisão e falta de dados sobre valores e tamanhos das placas impediu mais comparações. Vale atentar que alguns contratos analisados definiram o valor total para dois ou mais painéis, não discriminando o valor exato de cada um. Para análise, consideramos o valor de cada placa como o resultado da divisão total do valor pelo número de placas, ainda que as placas sejam de dimensões diferentes.

Letreiro da Vila Carrão foi o mais barato da capital paulista @Léu Britto/ Agência Mural

Sobre os custos

1

O valor da obra para instalação do letreiro “Eu Amo Cidade Tiradentes” equivale a três vezes o valor das obras para instalação de “Eu Amo Vila Formosa”, ou “Eu Amo Vila Maria” ou “Eu Amo Jardim Brasil”.

2

A obra para instalação da placa “Eu Amo Campo Limpo” custou o dobro da “Eu Amo Cidade Tiradentes” ou nove vezes mais que “Eu amo Vila Carrão”.

3

O valor da obra para implantação do letreiro “Eu Amo Campo Limpo” é igual ao das 27 placas da zona leste somadas.

Letreiro na zona sul custou mais que todos da zona leste

As 33 placas cujos valores foram divulgados custaram juntas R$12,8 milhões com variações significativas de valores entre cada uma.

Dentre as mais caras, chama atenção é o letreiro “Eu Amo Campo Limpo” que custou R$5,8 milhões, mais que a soma dos 27 instalados na zona leste (R$5,3 milhões).Confira as placas mais caras:

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Jacqueline Maria da Silva

Jornalista, vencedora de prêmios de jornalismo como MOL, SEBRAE, SIP. Gosta de falar sobre temas diversos e acredita do jornalismo como ferramenta para tornar o planeta melhor.

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