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Empreendedora da zona leste cria bolsas com bolas de basquetes reutilizadas

As bolsas podem ter diversos acessórios como pingentes e alça de pelo

Por: Kaliny Santos

Já pensou em utilizar bolas de basquete para produzir acessórios de moda? Patrícia Alves de Oliveira, 30, não só pensou como arregaçou as mangas para tirar o projeto do papel. Fundadora da marca Unity e jogadora de basquete desde os 13 anos, ela transforma bolas que seriam descartadas em bolsas cheias de estilo.

O empreendimento foi criado em 2020, depois que um jogo precisou acabar mais cedo por causa da bola furada. E foi aí que ela enxergou não um fim, mas um começo.

“Pensei: nossa, dá para fazer alguma coisa com isso aqui. E aí fiz a minha primeira bolsa”, relembra Patrícia, moradora do Jardim Maringá que fica localizado na Vila Matilde, zona leste de São Paulo. “Ficou horrível (risos), mas tive vontade de continuar. Estava sem trabalho, com tempo, então comecei a aprimorar, fui testando e foi assim que comecei”.

A empreendedora Patricia Oliveira cria bolsas a partir de bolas de basquete reutilizadas @Patrícia Oliveira/ Divulgação

A ideia era criar um acessório único para compor combinações de roupas. Aquele toque final. Assim nasceu a Unity, nome que é uma homenagem à música da rapper Queen Latifah, dos anos 1990.

A primeira máquina de costura veio em 2023, quando ela estava grávida e já empregada. Antes disso, realizava o trabalho de costura à mão. Mãe solo, reconhece nas clientes muitas histórias semelhantes à sua, principalmente quando buscam eternizar o objeto com que seus filhos brincam.

‘Já tive oportunidade de criar bolsas com bolas que os filhos das minhas clientes brincavam. Essa bolsa carrega um sentimento e valorizo isso demais’

Patrícia, empreendedora

“Corto, costuro, limpo, higienizo e monto. É um processo bem artesanal”, ressalta.

Hoje, além do basquete, Patrícia trabalha com bolas de futebol americano, vôlei e tênis. “Também faço pochetes, chaveiros e carteiras. Vendo peças únicas para cada pessoa. Tem cliente que chega com bola assinada por algum jogador, isso tem um valor muito grande”.

Parcerias

A empreendedora não caminha sozinha. A peça que cria carrega também as mãos de quem acredita no seu trabalho.

Uma delas é a empresa ‘JJ Fivelas’. São deles as alças de couro, os metais, as fivelas, os broches e os pingentes que transformam cada bolsa. Já as bolas chegam através da loja Ritmon, além de amigos e familiares que doam, ou clientes que já tem em casa.

As bolsas podem ter diversos acessórios como pingentes e alça de pelo @Patrícia Oliveira/Divulgação

Se para os jogadores, uma bola furada é apenas descarte, para ela, é o início de uma nova fase. “É a partir daí que surge outra forma de reutilização”.

Os preços variam conforme os acessórios adicionados à bolsa, que são únicas. As alças, por exemplo, custam a partir de R$39,90 e acessórios a partir de R$4. Após as escolhas dos clientes, é iniciada a confecção, que dura em média 15 dias.

“Quando a peça é feita com uma bola que possui um valor simbólico, como uma bola Penalty, por exemplo, o preço inicial vai de R$250 a R$299”.

Além do basquete

Com o aumento da demanda, Patrícia percebeu que precisava aprender mais sobre moda e decidiu se aprofundar. Ela fez um curso de modelagem e busca referências nos vídeos da artesã estadunidense Andrea, que também transformava bolas usadas em bolsas.

“Quando vi aquilo, pensei: se ela conseguiu, também posso, foi uma referência”, conta. “Sonhava em comprar uma bolsa dela quando mais nova, porém para a minha realidade era impossível, devido custar uns R$5 mil”.

O acessório pode ser utilizado tanto por mulheres quanto por homens @Patrícia Oliveira/Divulgação

Hoje, à frente de sua empresa, ela sonha em desenvolver um aplicativo onde os clientes possam escolher como gostaria de customizar a bolsa e pretende montar um ateliê físico na zona leste, para que as pessoas possam conhecer o processo de fabricação.

“É um trabalho que me orgulha demais, porque comecei sem nada, só com uma bola furada. É difícil conciliar sendo mãe solo e trabalhando CLT, mas vale muito a pena. Eu amo o que eu faço”, ressalta Patrícia.

Para quem também sonha em iniciar um novo negócio nas quebradas, vale conferir as dicas de Patrícia:

O que eu preciso pra tentar?

1

Vá com medo mesmo.
“Todo mundo tem dúvida no começo: será que vai dar certo? Será que eu deveria fazer isso? Mas vai assim mesmo. Sempre pensei: ‘eu vou chegar lá. Vou com medo, mas vou’.”

2

Comece com o que você tem.
Esperar pelo cenário perfeito pode atrasar sonhos. “Eu não tinha máquina de costura, não sabia colocar uma alça, não tinha nada… mas comecei. E fui me aperfeiçoando no caminho.”

3

Escolha algo que você ame.
Carinho e cuidado movem qualquer negócio. “Quando a gente trabalha com o que ama, faz tudo com prazer, com gosto, com amor, realizamos sonhos e entregamos algo de qualidade.



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